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Tenho conversado com muitos alunos e pacientes sobre o processo de encarar a vida com mais discernimento e maturidade, nos âmbitos emocional, psíquico e espiritual. Por isso me chamou a atenção o texto de Rosana Faria de Freitas que divido aqui com vocês.

Amadurecer é um processo interno contínuo, que acontece ao longo da vida, a partir de experiências e de situações que exigem o crescimento. Pessoas maduras controlam melhor suas emoções, assumem as próprias limitações e tendem a tomar decisões com mais segurança. O processo, no entanto, não é fácil – tanto que muita gente se recusa a crescer.

Exemplo? Imagine alguém que perde o emprego e fica totalmente inconformado. Trata-se de uma circunstância complicada, que pode trazer sofrimento. “Mas se a pessoa aproveitar o fato para evoluir, em uma próxima vez saberá como lidar melhor com o quadro, ou até mesmo de que forma evitá-lo”, analisa Juliana Bento, psicóloga e psicoterapeuta da Clínica de Especialidades Integrada, em São Paulo.

Nesta, e em várias outras ocasiões, o que está em prova é a capacidade de controlar o emocional e focar na situação de forma a extrair dela o máximo de sabedoria. Isso, porém, exige força de vontade, disposição e coragem.

“O amadurecimento permite ao indivíduo lidar com suas questões e demandas da vida de maneira realista, enxergando os prós e contras das situações e das pessoas, sempre com alguma coerência. Sem agir com euforia ou desânimo exacerbados”, acredita Cristina Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP). Tal qualidade exige autorreflexão, autopercepção e autoconhecimento.

Emoção e impulsividade

Por que alguns indivíduos dispõem dessa capacidade e outros não? “Fatores internos e externos contribuem ou não para o amadurecimento pessoal. É preciso levar em consideração a educação, o ambiente em que se foi criado e os estímulos oferecidos. E também, claro, a maneira de cada um de lidar com determinadas situações, já que o ser humano é único”, diz Juliana Bento.

O excesso de emoção, que leva à impulsividade, muitas vezes atrapalha ações mais prudentes e realistas, observa Cristina Pertusi, acrescentando que a maturidade está associada à forma como o sujeito conhece e se relaciona com o mundo exterior, elaborando e digerindo internamente as questões que se apresentam.

E tem mais: inteligência não significa amadurecimento. Uma pessoa altamente capaz intelectualmente pode não se desenvolver no campo afetivo e social. “É só lembrar dos introvertidos, dos profissionais de tecnologia, dos jovens tidos como nerds. Não raro, somente com o tempo vão progredindo e fortalecendo esses aspectos”, pondera Pertusi.

Homem versus mulher

De qualquer forma, cada indivíduo nasce com uma predisposição ao amadurecimento, o que significa superar atitudes infantis. Alguns têm mais facilidade para isso, outros menos. “Amadurecer não é uma tarefa fácil e sim dolorosa, fazendo com que alguns prefiram permanecer com a inocência de uma criança – o que, de certa forma, ‘bloqueia’ o processo de crescimento”, pondera Juliana Bento.

Em relação ao gênero, ela acredita que, por questões culturais, as mulheres em geral apresentam mais maturidade emocional. “Ainda vivemos numa sociedade em que o homem é levado a ser dependente, em alguns aspectos, da mulher. Já ela é educada para lidar com suas frustrações e para depender financeiramente dele – que, por sua vez, é obrigado a sustentar a casa, o que o leva a ter de se desenvolver profissionalmente. Felizmente, este padrão está sendo superado, mas ainda é observado em parte considerável da população.”

Para amadurecer, a pessoa tem que estar disposta a ultrapassar barreiras, tomar decisões e assumi-las, não fugir de suas responsabilidades, enfrentar desafios, identificar seus pontos fortes e fracos, superar-se. E não há dúvida de que, quanto maior o autoconhecimento, maior a evolução pessoal.

“Existem papéis sociais que são esperados em cada etapa do desenvolvimento. Por exemplo, um indivíduo que, aos 30 anos, não trabalha, mora com os pais e não tem relações afetivas estáveis pode ser considerado imaturo”, considera Cristina Pertusi.

Para chegar lá, ela aconselha investir em si mesmo, buscando tratamentos psicoterápicos, aconselhamento psicológico e, para melhorar a vida profissional, processos de coaching.

Além disso, outras ciências de auto desenvolvimento como yoga e meditação, que são focadas no olhar em si mesmo e na superação de limites aparentes.

Fonte: UOL Bem Estar

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