papa

A visita do Papa esta semana ao Brasil, que tem sido amplamente divulgada pela mídia, trouxe com ela a proposta de renovação da fé para os católicos e a reflexão sobre que mestre ou tradição religiosa nos inspiramos a seguir.

Religião é uma palavra que vem do latim e que, em última instância, representa o mesmo que a palavra Yoga com origem sânscrita: RELIGAR! É a conexão de corpo, mente, espírito e universo ao amor que já somos. É expandir a consciência além de limites, sejam eles físicos, sociais, financeiros, etc.

Na prática, religião tornou-se um conjunto de sistemas culturais, dogmas e crenças que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais. Das grandes religiões mundiais, não podemos citar nenhuma que se fundamente na expressão do ser humano em sua essência. Todas elas dizem ao Homem como ele deve agir para ser a imagem e semelhança de Deus. Pois se deve agir assim ou assado para se assemelhar a Deus, não é Deus então se agir de outra forma?

A grande questão que afasta a religião da espiritualidade é justamente esta ideia dual sobre a vida, começando por bem e mal. Este comportamento é bom, é certo, e o outro é ruim e errado. Um julgamento que começa sob a ótica dos homens embuídos da “palavra de Deus”.

Você deve então se perguntar agora: deveríamos então viver num mundo sem certo e errado onde o instinto animal prevalece pela força? Obviamente digo que não sou a favor da bárbarie medieval por meras questões filosóficas. Acho que as doutrinas religiosas bem couberam ao mundo num tempo onde degolar o vizinho por qualquer desavença era praxe nas sociedades. Mas afirmo que elas não evoluíram com o tempo e exigiram de suas sociedades confissões e retratações que não puderam dar. O acerto de contas pelas práticas do “mal” cabe aos outros, nunca a própria instituição.

E assim como o falho ego humano luta para encontrar um pouco de felicidade nas coisas passageiras, as instituições religiosas construíram seus alicerces sobre frágeis verdades individuais e interessadas, humanas demais para propagarem o divino.

O amor dos mestres e a verdade das instituições

Aos praticantes religiosos podemos perguntar: quantos acreditam no amor puro e incondicional do seus messias (seja ele Jesus, Buda, Maomé ou Moisés)? Praticamente 100% dirá que acreditam no amor puro destes mestres. Mas quantos responderão que acreditam no amor puro e desinteressado de sua igreja?

Acredito que em cada religião haja ainda muitos homens sérios e comprometidos com a verdade universal, que é o amor a todos, sem restrição de raça, sexo, classe ou credo. Essencialmente um mestre não precisa dos holofotes públicos nem de cargos hierárquicos para disseminar a voz e o amor divinos. Ele mostrará na prática, no dia a dia, em sua conduta, o espírito que buscamos na religião. Assim como as instituições religiosas deveriam se concentrar na PRÓPRIA CONDUTA para só depois tentar dizer o que é certo ou errado aos outros, acredito que os seguidores religiosos poderiam também observar estes poucos exemplos de líderes coerentes entre discurso e ação e, diariamente, buscar interiormente elementos para renovar sua fé, já que o divino está em todos nós e não na figura pública do pontífice.

Católica de nascimento que sou, abandonei esta religião para seguir a Cristo. Pode parecer estranho, mas livre da religião que “conduziu” suas palavras pelos séculos, encontrei a essência de seus ensinamentos que me foram ferramenta para aliviar a dor ou sofrimento e trazer clareza sobre o que eu sou. Assim como a Cristo, sigo a Buda, Maomé, Moisés e Krishna, sem me apegar a nenhum deles. Podem até me dar o título de pagã, mas a espiritualidade não me tiram.

Os princípios que guiam minha espiritualidade hoje são basicamente o discernimento, a consciência e a paz, que podem ou não estar na religião que se pratica. Fora isso, as figuras religiosas me soam como arquétipos capazes muitas vezes de inspiração, mas nem sempre de coerência e prática.

  • Um dia com um Sadhu e a Kumbh Mela Você já deve ter visto as imagens dos festivais religiosos na Índia onde homens cabeludos, "rastafaris" ou carecas, cobertos de cinzas, aparecem cercados de seguidores sendo muito […]
  • Sai China entra Índia Mexendo nos meus arquivos, achei uma matéria da Revista Época de 27 de novembro de 2006 e o título é "Sai China entra Índia", e o texto faz uma abordagem breve sobre uma forte […]
  • Quem foi Mahatma Gandhi? Uma história para contar aos seus filhos O líder pacifista e guia espiritual Mohandas Karamchand Gandhi, foi a principal personalidade na luta pela independência da Índia, país colonizado pela Ingraterra. "Um longo jejum […]
  • Tina Turner e o mantra do bem estar Mantra é uma palavra sânscrita que significa “aquilo que conduz à mente”. O Mantra é um som sagrado, uma vibração capaz de conduzir ao estado de supra consciência. A repetição contínua […]