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Tenho pensado muito frente a todas as manifestações que estamos presenciando e vivenciando ultimamente, na tentativa de compreender o que está acontecendo e o que está por vir.

De fato, os brasileiros experimentaram que podem ter voz e isto me faz acreditar ser uma conquista muito importante no que se refere ao processo de tomada de consciência. Podemos questionar a forma de governar neste país porque passamos a buscar conhecer mais os atos dos nossos congressistas, assim como descobrimos uma força interna e coletiva na ação que leva à transformação. Vemos isto nas manifestações, sejam pacíficas ou não. Com mais consciência podemos perceber e sentir o mundo de outra maneira e nos posicionarmos diferentemente seja no âmbito político ou no que tange a esfera individual.

Quando me refiro ao mundo estou considerando tanto o externo quanto o interno. Uma sociedade mais justa e saudável só pode vir a nascer se os indivíduos também se tornarem saudáveis em todos os níveis existenciais: social, político, emocional e espiritual. Quando compreendemos melhor nossas emoções, sentimentos, conflitos, dificuldades, medos, expectativas, desejos e etc, podemos descobrir que nossas ações estavam sendo direcionadas para alvos, objetivos e/ou idéias mais superficiais, como a ponta de um iceberg, por exemplo, ou que estávamos trilhando caminhos que nos distanciavam ainda mais de nossos verdadeiros sonhos ou até mesmo ilusórios.

Para que haja saúde é necessária a ampliação da consciência. De nada adianta focarmos somente no externo, pois as mudanças serão superficiais e inconsistentes. Quanto mais aprofundarmos o conhecimento sobre nosso mundo interno, mais nos conheceremos e com isso passaremos a ser mais assertivos em nossas vidas. Isto diminui o sofrimento, traz uma sensação mais duradoura de paz interna, alegria de viver, calma, tranqüilidade, esperança no futuro, todos requisitos para o bem estar e saúde.

Temos ouvido nos noticiários, nas conversas das pessoas que nos circundam, bem como lemos nos comentários nas redes sociais e na mídia diversos comentários sobre prováveis mudanças, positivas ou negativas, dependendo do ponto de vista. A esquerda irá cair? A direita está por trás? Sem partido sobra o que? Todos são corruptos? A ditadura irá voltar já que estão pedindo ordem e não possuem uma liderança? O governo conseguirá apresentar propostas satisfatórias para a população, que neste momento, tornou-se intolerante a qualquer posicionamento de qualquer político?

Um movimento sem liderança tende a se perder pela falta de consistência. Traço novamente o paralelo às nossas vidas: um caminhar sem consciência nos leva à doença física, emocional e espiritual. Muitos sintomas que se apresentam em nossos corpos ou mentes são sinalizadores da não saúde (dores constantes, tristezas, insatisfações com a vida, pessoas ou trabalho, apatia, sensação de vazio, depressão, ansiedade e etc). A saúde ocorre quando mente e corpo estão integrados ou em harmonia. Uma alimentação saudável, um estilo de vida menos estressante, a realização de atividades prazerosas, o cuidado com corpo e mente seja através da análise, da ioga ou de outras atividades médicas, terapêuticas e até religiosas que promovam essa integração geram nos indivíduos transformações profundas. Na saúde acessamos uma força interna capaz de superar muitos obstáculos que há tempos atrás achávamos que jamais conseguiríamos ou que nem tínhamos consciência deles.

Cada um no seu processo de caminhar e se desenvolver na vida, mas o que eu espero é que a consciência se expanda e que venha na Revolução! Mesmo que para isso tenhamos que acessar sentimentos mais profundos e obscuros (inconscientes), incluindo a perda de referenciais mais cristalizados como crenças ilusórias e errôneas sobre tudo o que damos como certo, pois só assim nos abrimos para o novo e conseguimos criar um mundo diferente do que vivenciamos atualmente.

Cristina Ciola Fonseca
Psicóloga Clínica

Imagem: Antonio Milena

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