Boy holding stool and whip up to shadow of very large bully

Você já parou para observar se você tem algum tipo de preconceito? E se tem, qual seria o grau? De onde ele vem?

O preconceito ocorre em todos os países e em diversos níveis. Podemos constatá-lo na diferença de classe social, de raça, de opção sexual, religiosa e também pela necessidade de poder. Desde o início do desenvolvimento da humanidade há uma grande dificuldade em se lidar com as diferenças. Isto ocorre porque o sentimento de ameaça torna-se maior do que a confiança no processo da vida.

O fato de não se ter acesso ao futuro e/ou ao desconhecido leva o ser humano a tentar controlar e garantir a sua existência e muitas vezes, sua sobrevivência. Controle é uma grande ilusão. Podemos sim aprender a dominar nossas forças internas, mas não podemos controlar os eventos externos.

Em nome da religião, da moral, da economia, da segurança nacional e internacional, etc., o homem passou a matar, a destruir, a incitar o ódio e a violência. Infelizmente o que as pessoas não compreenderam é que todas essas ações são frutos do medo, apesar de parecerem que somente são frutos do ódio e da intolerância.

Eu mesma achava que não tinha preconceitos e desde pequena ficava irritada e revoltada quando pessoas próximas a mim o manifestavam. O preconceito nada mais é do que uma idéia pré-concebida, ou seja, uma crença prévia sobre algo compartilhado por um número grande de pessoas, o que a torna uma verdade para esse grupo. Outra grande ilusão e pode-se dizer até um grande erro. As crenças são passadas de geração em geração e não necessariamente são verdadeiras e eficazes. Elas acontecem exatamente para trazer a sensação de controle sobre o incontrolável. É como se aliviasse o sentimento de medo. Só que este mecanismo é ineficiente. É só olharmos a quantidade de guerras, violências e brigas por todo o planeta.

Então, se aprendermos a cuidar e diminuir o medo sobre o desconhecido não há mais a necessidade de usar outros recursos, como as crenças, por exemplo. Podemos educar uma civilização inteira a respeitar, amar, cuidar, proteger. Parece fácil e até um sonho.
É possível, mas para isso o ser humano precisa compreender seu universo interno, seus medos, seus receios, descobrir de onde vem suas crenças e para que elas servem, para assim poder compartilhar isso com os outros.

Sabemos que há grandes interesses políticos e econômicos por trás da educação de uma nação. Porém, se observarmos a fundo iremos descobrir que todas as idéias que permeiam os seres neste planeta baseiam-se na manutenção de algo, seja do poder, da riqueza, da noção de identidade e etc. Este mecanismo aponta novamente ao medo da perda do controle sobre si e sobre tudo.

Quando percebo que tenho algum preconceito, tento explorar as idéias que estão contidas nele para entender o que sinto em relação a elas. Posso descobrir que tenho medo de algo ou que aprendi durante anos que aquela idéia continha uma verdade absoluta.

As ideias contém verdades, mas elas são relativas.

Somos treinados para sentir medo de tudo. O outro se torna uma ameaça a minha existência, ao que acredito, que aprendi com meus pais, com meus professores, com meus colegas. Sem falar no medo de não ser mais aceito (a) se tiver idéias diferentes da grande maioria.

Proponho então que cada um olhe para dentro de si, veja o grau de seu preconceito e possa assim começar a aceitar que as diferenças podem somar na vida, trazendo maior riqueza interna.

Indico que assistam a animação Os Croods. Segue abaixo o trailer. Reparem no início do vídeo a fala do pai sobre os perigos do mundo (pré-conceito).

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista, graduada na PUC-SP, com especialização na UNIFESP
Consultório particular (11) 5052 9286 / 99850 9074
crisciola@hotmail.com

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