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“Meu maior desejo é que este livro possa trazer alguma simpatia por um povo cuja vontade de viver em paz e liberdade recebeu tão pouca solidariedade de um mundo indiferente.” (‘Sete Anos no Tibet’, 1953)

Não tenho por hábito assistir televisão (confesso que nem tenho uma em casa). Mas “pesquei” estes dias num canal a cabo o inesquecível “Sete Anos no Tibet”, do livro de Heinrich Harrer adaptado ao cinema por Jean-Jacques Annaud. Brad Pitt interpreta Heinrich Harrer, o egocêntrico alpinista austríaco que tentou a façanha de escalar o Nanga Parbat, 9º pico mais alto do mundo, nos Himalaias, Índia. Deixou a mulher grávida e o casamento em crise em busca de sua glória pessoal, às margens da Segunda Guerra Mundial. Depois da tentativa frustrada da escalada, tornou-se preso de guerra por ser um austríaco em solo de domínio inglês. Consegue fugir e, na companhia de Peter Aufschnaiter (David Thewlis), outro alpinista, se tornaram os únicos estrangeiros na sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá sua vida muda radicalmente, imerso na cultura e espiritualidade de um povo totalmente pacífico, além de tornar-se confidente do Dalai Lama, ainda um menino na época.

Além do contexto filosófico e espiritualista, impressiona o exercício da compassividade dos tibetanos na luta contra a invasão chinesa, responsável pela morte e tortura de milhares de tibetanos e pelo exílio do Dalai Lama, que reside na Índia até hoje.
Adorei este breve vídeo em entrevista à Sônia Bridi, onde o Dalai Lama, nos dias de hoje, fala sobre a confusão que existe sobre a compaixão. “Muitos acham que ter compaixão é se render ao outro. Temos que separar o agente da ação. O perdão é para a pessoa, não para o que ela faz… Devemos criticar e mostrar que desaprovamos as ações, mas o agente ainda é um ser humano.”

Este exercício cabe a nós, caminhantes da evolução. Não gaste tanto tempo “ruminando” assuntos que poderiam ser resolvidos pela sua ação correta. Esta atitude pode evitar conflitos externos mas causa a doença física e a morte da alma em conflitos internos a quem se negou, por covardia ou negligência, ao exercício da ação. Perdão e compaixão servem a amigos e inimigos. Assim como as críticas e a séria contestação se a ação está em desacordo com a felicidade.

Para constar, Heinrich Harrer e o Dalai Lama continuaram amigos por toda a vida. Harrer faleceu em 2005 com 93 anos, na Áustria.

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